Esta matéria foi exibida no Via Legal 311 em 20/08/2008

Leilão Virtual

Foi a primeira vez que o professor de educação física Sérgio Pereira participou de um leilão. Ele conta que os preços cobrados são inferiores ao praticados no mercado. “Então torna um investimento muito bom pra se fazer”, diz. Já o administrador de empresas Guilherme Lima freqüenta os leilões há pelo menos dois anos. Ele também confirma as vantagens do negócio. “Pra mim, compensa porque eu invisto em imóveis e depois loco imóveis meus”, resume.

Em Alagoas, a Justiça Federal realiza leilões a cada dois meses. Para participar, é muito simples. Primeiro, a pessoa recebe um cadastro, depois uma placa com um número, que deve ser levantada toda vez que houver interesse por um objeto. Aí, é só dar um lance. O processo é semelhante a um leilão tradicional, a diferença é que as vendas acontecem também por um sistema virtual, ou seja, quem não está presente também pode participar. Da forma como foi realizado em Alagoas, é o primeiro do país. Telões e computadores instalados no prédio permitem a participação pela internet, em tempo real.

Pessoas de Portugal e Estados Unidos, por exemplo, participaram da primeira edição do leilão. O cadastro dos interessados também é feito pela internet. O leiloeiro oficial, Fernando Albuquerque Linz, explica que são exigidos documentos pessoais e comprovantes de endereço, mas o processo é rápido. “Eu libero o acesso ao site e a pessoa já está apta a, em qualquer canto do mundo, apresentar os lances pela internet”, diz.

O leilão foi aprovado pelos internautas. Pelo sistema, Jorge Alfredo, um dos participantes, que no dia do leilão estava em Arapiraca, no interior do estado, disse que não teve nenhuma dificuldade. É também à distância que o idealizador do projeto, o juiz federal Raimundo Campos Júnior, acompanha o leilão. Ele explica que não foi fácil implantar o sistema virtual. A maior dificuldade do juiz, que também é engenheiro, foi encontrar mão de obra qualificada para trabalhar com a nova tecnologia, principalmente pela falta de especialização em informática dos servidores da justiça. “Tanto é que a gente teve que contar com a colaboração de outras pessoas como estagiários e até o leiloeiro”, lembra.

Superadas as dificuldades, o sistema entrou em funcionamento. No leilão virtual tem de tudo: de vestido de noiva e transformadores elétricos até fazendas. Todos os produtos com informações e fotos disponíveis na tela do computador. O sistema on line deu vida nova a um antigo e eficiente método de cobrança judicial. O dinheiro arrecadado aumentou mais de dez vezes. No último leilão pelo método tradicional foram arrecadados R$ 900 mil. Já na estréia do modelo virtual, o valor chegou a R$ 10 milhões. “A partir do momento que há maior divulgação do sistema, os nossos bens conseguem ter maiores lances e isso é melhor não só para a arrecadação da Fazenda Pública, como também para o próprio executado, que vai perder o bem pelo maior preço”, afirma o juiz.

Raimundo Campos Júnior faz questão de afirmar que a pessoa que compra um bem pelo leilão virtual não corre nenhum risco. A segurança é um dos destaques do sistema que conta com a certificação digital.

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