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Foi a primeira vez que o professor de educação física Sérgio
Pereira participou de um leilão. Ele conta que os preços cobrados
são inferiores ao praticados no mercado. “Então torna um
investimento muito bom pra se fazer”, diz. Já o administrador de
empresas Guilherme Lima freqüenta os leilões há pelo menos dois
anos. Ele também confirma as vantagens do negócio. “Pra mim,
compensa porque eu invisto em imóveis e depois loco imóveis meus”,
resume.
Em Alagoas, a Justiça Federal realiza leilões a cada dois meses.
Para participar, é muito simples. Primeiro, a pessoa recebe um
cadastro, depois uma placa com um número, que deve ser levantada
toda vez que houver interesse por um objeto. Aí, é só dar um lance.
O processo é semelhante a um leilão tradicional, a diferença é que
as vendas acontecem também por um sistema virtual, ou seja, quem não
está presente também pode participar. Da forma como foi realizado em
Alagoas, é o primeiro do país. Telões e computadores instalados no
prédio permitem a participação pela internet, em tempo real.
Pessoas de Portugal e Estados Unidos, por exemplo, participaram
da primeira edição do leilão. O cadastro dos interessados também é
feito pela internet. O leiloeiro oficial, Fernando Albuquerque Linz,
explica que são exigidos documentos pessoais e comprovantes de
endereço, mas o processo é rápido. “Eu libero o acesso ao site e a
pessoa já está apta a, em qualquer canto do mundo, apresentar os
lances pela internet”, diz.
O leilão foi aprovado pelos internautas. Pelo sistema, Jorge
Alfredo, um dos participantes, que no dia do leilão estava em
Arapiraca, no interior do estado, disse que não teve nenhuma
dificuldade. É também à distância que o idealizador do projeto, o
juiz federal Raimundo Campos Júnior, acompanha o leilão. Ele explica
que não foi fácil implantar o sistema virtual. A maior dificuldade
do juiz, que também é engenheiro, foi encontrar mão de obra
qualificada para trabalhar com a nova tecnologia, principalmente
pela falta de especialização em informática dos servidores da
justiça. “Tanto é que a gente teve que contar com a colaboração de
outras pessoas como estagiários e até o leiloeiro”, lembra.
Superadas as dificuldades, o sistema entrou em funcionamento. No
leilão virtual tem de tudo: de vestido de noiva e transformadores
elétricos até fazendas. Todos os produtos com informações e fotos
disponíveis na tela do computador. O sistema on line deu vida nova a
um antigo e eficiente método de cobrança judicial. O dinheiro
arrecadado aumentou mais de dez vezes. No último leilão pelo método
tradicional foram arrecadados R$ 900 mil. Já na estréia do modelo
virtual, o valor chegou a R$ 10 milhões. “A partir do momento que há
maior divulgação do sistema, os nossos bens conseguem ter maiores
lances e isso é melhor não só para a arrecadação da Fazenda Pública,
como também para o próprio executado, que vai perder o bem pelo
maior preço”, afirma o juiz.
Raimundo Campos Júnior faz questão de afirmar que a pessoa que
compra um bem pelo leilão virtual não corre nenhum risco. A
segurança é um dos destaques do sistema que conta com a certificação
digital.
Esta matéria foi exibida no Via Legal 311 em
20/08/2008 |